Ó fado repenicado
Ó fado de Portugal
Tenho o coração cansado
O amor foi sempre o meu mal.

Ó fado onde a alma chora
Ó triste fado fatal
Quem me dera ver agora
As terras de Portugal.

Ó fado repenicado
O ser triste é o meu mal.
Eu nasci e fui criado
Nas terras de Portugal.

O fado da minha terra
Nasceu entre laranjais
Liga a frescura da serre
A tristeza de Cascais.

Quando longe o olhar parado
Fica estrelas a olhar
Se alguém repenica o fado
Começa a gente a chorar.

O fado canta saudades
Ao lembrar por nosso mal
Sinos tocando a trindades
Na terra de Portugal.

Canta (o) coração amado
(E) Quer o cante bem ou mal
Leva o coração chorando
Às terras de Portugal.

 

20 - 10 - 1909

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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