Minha consciência de existir
É uma cidade no Oriente,
Por suas ruas vão, a rir,
Bandos nocturnos loucamente.

Como a vida ali é incerta
E nada é igual a si!
Passam por uma porta aberta
E adianta-se um deles e ri

E grita e uiva □ por ela
Depois foge tudo e é irreal...
E em cima abre-se uma janela
E alguém espreita... à oriental.

18 - 12 - 1914

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
« Voltar