Sugerido pelo bronze  Diógenes
                         da Senhora duquesa de Palmela


Erguei até à fronte em noite escura.
Duma lâmpada acesa a luz arfante.
Em torno a vós, baila  sombra escura
E a luz vai projectar-se para avante.

Sustendo a lâmpada a igual altura.
Correi depois para essa luz brilhante.
A treva, aos vossos pés corre segura,
E a luz sempre a fugir, sempre distante

Poetas! Eis aqui simbolizada
Na sombra, a nossa mágoa inominada.
Na luz, o além, como um clarão no mar.

Na sombra, a permanente, a eterna  dor,
Na luz, a aspiração dum grande amor
Que nunca, nunca havemos de alcançar.  

 

 

Augusto Gil
« Voltar