Moradoras gentis e delicadas
do claro e ureo Tejo, que metidas
estais em suas grutas escondidas,
e com doce repouso sossegadas:

agora estais de amores inflamadas,
nos cristalinos paos entretidas;
agora no exerccio embevecidas
das telas de ouro puro matizadas.

Movei dos lindos rostos a luz pura
de vossos olhos belos, consentindo
que lgrimas derramem de tristura.

E assi, com dor mais prpria, ireis ouvindo
as queixas que derramo da Ventura,
que com penas de Amor me vai seguindo.

Luís Vaz de Camões
[MORADORAS GENTIS E DELICADAS]
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