Não há tormenta tão grande
Que o sol um tempo não vença;
Não há dor que não sucumba
Enfim à humana indif'rença.

Pouco a pouco, d'era em era;
O mar sobre a terra avança;
É assim o pensamento -
Tudo mata - oh, alma, espera
Ao menos uma esperança,
Memória dum sentimento.


In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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