Não tenho nada p’ra te dizer
Salvo que a vida já não me quer.

Não tenho nada p’ra te ouvir
Para que ouvir-te? Não sei sentir…

Sofro nos sonhos, sofro na vida.
Não tenho norma nem direcção…

Levo o cadáver da fé perdida
Para o jazigo da ilusão.

 

1 - 3 - 1917

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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