Nas cidades incertas
Do fundo do mar,
Há janelas abertas
Para ver passar
Vagas sombras do mar.

Há terraços que dão
Para vagas regiões
Onde as ondas estão
Acima e há milhões
De sombras e visões.

Mas nunca às janelas,
Mas nunca ao terraço
Seus olhos de estrelas
A rainha traz, no espaço
Do terraço.

28 - 2 - 1920

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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