Tu, místico, vês uma significação em todas as cousas.  
Para ti tudo tem um sentido velado.
Há uma cousa oculta em cada cousa que vês.  
O que vês, vê-lo sempre para veres outra cousa.

Para mim, graças a ter olhos só para ver,
Eu vejo ausência de significação em todas as cousas;
Vejo-o e amo-me, porque ser uma cousa é não significar nada.  
Ser uma cousa é não ser susceptível de interpretação.

 

In Poemas Inconjuntos


In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Fernando Cabral Martins, Richard Zenith, 2001
Alberto Caeiro
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