Argumentos em vão.
Distraído, certo, bate
Por trás do nosso debate
O coração.

Sei bem que gostas de mim,
Sabes bem quanto te quero,
E argumentamos assim,
No tom arrastado e insincero
De quem fala só de cousas
Que nada têm connosco,
Como quem com mãos ociosas,
Num gesto alheado e manso,
Limpa o pó de um manipanso
Santo e tosco.

2 - 12 - 1935

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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