Ao som da música adormeço
Sem dormir.
O que fui e o que sou esqueço
Por sorrir

Ao que não há e me é aragem
De som
E o que do fundo da viagem
Do nada, é bom.

São uns ventos ao acaso
Bem sei…
Mas são sonhos, e eu amo o atraso
Do que sonhei.

4 - 8 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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