Lá fora onde árvores são  
O que se mexe a parar  
Não vejo nada senão,  
Depois das árvores, o mar.
 
É azul intensamente,
Salpicado de luzir,  
E tem na onda indolente
Um suspirar de dormir.
 
Mas nem durmo eu nem o mar,
A ambos nós, no dia brando,
Uma alheia força impele
E ele sossega a avançar
E eu não penso e estou pensando.
14 - 8 - 1932

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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