O céu azul de luz quieta...
As ondas brandas a quebrar
Na praia lúcida e completa —
Pontas de dedos a brincar...

No piano anónimo da praia
Tocam nenhuma melodia,
De cujo ritmo por fim saia
Todo o sentido deste dia.

Que bom se isto satisfizesse!
Que certo, se eu pudesse crer
Que esse mar e essas ondas e esse
Céu têm vida e têm ser.

29 - 5 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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