A pálida luz da manhã de inverno,  
       O cais e a razão  
Não dão mais 'sperança, nem menos 'sperança sequer,  
       Ao meu coração. 
       O que tem que ser  
       Será, quer eu queira que seja ou que não.  

No rumor do cais, no bulício do rio  
       Na rua a acordar  
Não há mais sossego, nem menos sossego sequer,  
       Para o meu 'sperar.  
       O que tem que não ser  
Algures será, se o pensei; tudo mais é sonhar.

28 - 12 - 1928

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
« Voltar