Como às vezes num dia calmo e manso
No claro verde da planície calma
Duma súbita nuvem o avanço
Palidamente as relvas enegrece
Assim agora em minha pávida alma
Que súbito se evola e arrefece
A memória dos mortos aparece...

Ah quantos longe, e de que modo longe?
Não há □ nem emoção
Que a esse sentimento  □
Um pavor que não sei se é meu se não
Me ocupa de repente o coração.

Quantos sorrisos, se eu agora os lembro,
Me parecem um sonho e um devaneio,
Ou me parece este arrepio negro
E que eu sinto abandonado e frio
O sonho, a vida de que □  descreio.
Não sei em que não crer, se no □
Se no invisível abismo que  □
 
Pensar que uma alma certa e anunciadora,
O sentido de um corpo e de um olhar,
Não sei que abismo de não dito agora,
Não sei que espaço incógnito interpor
Entre ela e o próprio corpo que  □ 
Entre ela e mim que a busco sem a achar...

Ó pavor de haver morte! Negra

10 - 11 - 1925

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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