Vem brando o vento quieto
Do fundo da terra e sonho.
Há um sossego completo
No que vejo e o’ que suponho.

Sem ser na brisa, que é nada
Só na erva mais alta há bem
Um movimento; e agrada
A maneira que ele tem.

E como se nesta calma
Surgisse um mover qualquer
Só para mostrar à alma
O sossego que ela quer.

3 - 5 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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