Não me fales de glória; é outro o altar
Onde queimo piedoso o meu incenso,
E animado de fogo mais intenso,
De fé mais viva, vou sacrificar.

A glória! Pois que há nela que adorar?
Fumo, que sobre o abismo anda suspenso…
Que vislumbre nos dá do amor imenso?
Esse amor que ventura faz gozar?

Há outro mais perfeito, único esterno,
Farol entre ondas tormentosas firme,
De imoto brilho, poderoso e terno…

Só esse hei-de buscar, e confundir-me
Na essência do amor puro, sempiterno…
Quero só nesse fogo consumir-me!


In Sonetos
Antero de Quental
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