Eu quero sentir-te, Maria, dormir Tão perto ao meu lado, E tanto, tão fundo, tão bem o sentir Que possa enganado Julgar-me vivendo num pálido além Contigo somente E numa só alma que as nossas contêm Amando-te insciente, Sentindo-te como sentindo-me a mim, Em mim embebida; Sem forma ou lugar, com o tempo sem fim Medindo essa vida.
22 - 6 - 1909

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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