Somos de barro. Iguais aos mais. 
Ó alegria de sabê-lo! 
(Correi, felizes lágrimas, 
por sobre o seu cabelo!) 

Depois de mais aquela confissão, 
impuros nos achámos; 
nos descobrimos 
frutos do mesmo chão. 

Pecado, Amor? Pecado fora apenas 
não fazer do pecado 
a força que nos ligue e nos obrigue 
a lutar lado a lado. 

O meu orgulho assim é que nos quer. 
Há-de ser nosso o pão, ser nossa a água. 
Mas vencidas os ganhem, vencedoras, 
nossa vergonha e nossa mágoa. 

O nosso Amor, que história sem beleza, 
se não fora ascensão e queda e teimosia, 
conquista... (E novamente queda e novamente 
luta, ascensão...) Ó meu Amor, tão fria, 

se nascêramos puros, nossa história! 

Chora sobre o meu ombro. Confessámos. 
E mais certos de nós, mais um do outro, 
mais impuros, mais puros, nós ficámos. 


In PELO SONHO É QUE VAMOS , Ática, 1992
Sebastião da Gama
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