De aqui a pouco acaba o dia.
Não fiz nada.
Também, que coisa é que faria?
Fosse a que fosse, estava errada.

De aqui a pouco a noite vem.
Chega em vão
Para quem como eu, só tem
Para o contar o coração.

E após a noite e mais dormir
Torna o dia.
Nada farei senão sentir.
Também que coisa é que faria?

31 - 8 - 1931

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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