Deixa-me olhar-te pássaro real
a saltitar nesta tarde esquecida
Como uma clara afirmação de vida
mesmo pequeno esse teu corpo vale

Que alguma coisa morre em cada qual
leio-o nessa cabeça ao alto erguida
mas tens a alegria extrovertida
de não sentir em ti o nosso mal

Somos contemporâneos meu amigo
por isso posso conviver contigo
compartilhar o orgulho de estar vivo

Eu penso e tu não pensas é que é certo
Tu a saltar e eu aqui tão perto
a pensar que da morte me não privo

 


In Homem de Palavra[s]
Ruy Belo
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