O Amor dá-se de graça; a Glória é cara;
Esta é matrona grave, o outro é menino;
Cuida o Amor dum canteiro pequenino
E a Glória lavra intérmina seara.

O Amor é gastador, a Glória, avara;
Esta com siso marcha, o outro sem tino;
E aos ventos desnorteados do destino
Enquanto o Amor se apressa, a Glória pára.

Em bronze escreve a Glória, o Amor, na areia;
E enquanto ele escorrega, ela tateia
Do futuro nas brumas misteriosas…

A Glória eternos louros faz crescer;
Frágeis rosas, o Amor. Quando eu morrer,
Dispenso os louros; cubram-me de rosas!

 

Eugénio de Castro
LOUROS E ROSAS
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