Tão claro o teu amor
Tão clara a tua esperança
Terra renovada e fraterna
Que recebe os grãos
E é claro o meu canto
Claro o meu beijo
Minha alegria
E meu desejo
Pelo ar vieste num luzir de espadas de sol
Em dia terno de Maio
Soube o exacto infante
Em que chegavas
Como se me beijasses a fronte lisa
Aonde
Tua transparente imagem vivia
Corajosa esperança
Fraterna esperança
E nossos corpos sem morte
Claros. Porque se amam
Livres amantes amando

In Voz Nua , Livros Horizonte, 1986
Matilde Rosa Araújo
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