Que noite serena!
Que lindo luar! 
Que linda barquinha 
Bailando no mar!  

Suave, todo o passado - o que foi aqui de Lisboa - me surge...
O terceiro andar das tias, o sossego de outrora,
Sossego de várias espécies,
A infância sem futuro pensado,
O ruído aparentemente contínuo da máquina de costura delas,
E tudo bom e a horas,
De um bem e de um a-horas próprio, hoje morto.

Meu Deus, que fiz eu da vida?  

Que noite serena!
Que lindo luar! 
Que linda barquinha 
Bailando no mar! 

Quem é que cantava isso?
Isso estava lá.
Lembro-me mas esqueço.
E dói, dói, dói,,,

Por amor de Deus, parem com isso dentro da minha cabeça.


In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
« Voltar