Quem bate à porta de eu ser
Sem que eu saiba qual a porta?
Vou começar a saber?
Vou saber que vive morta
A esperança de querer?

Nada. Quem bate não bate,
E quem 'stá não pode estar.
É inútil o rebate,
Pois no xadrez quando há mate,
Acaba, mas sem matar.

4 - 3 - 1933

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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