Anda no ar a excitao
de seios sbito exibidos
torva luz de um alapo,
por onde os corpos rolaro,
mordidos!

Ou um deus, ou foi a Morte
que nos vestiu este torpor;
e a Primavera um chicote,
abrindo as veias e o decote
ao meu amor!

Esqueo que os dedos tm ossos:
s de sangue esta carcia;
apenas nervos os pescoos...
Mas nos teus olhos, nos meus olhos,
a luz da morte brilha.
 

 

David Mourão-Ferreira
CANçãO PRIMAVERIL
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