Em minha alma, na sua escuridão,
Tão escura como a alma em cada ser,
Por bênção de sua eterna maldição
Lampeja qual vampiro sem corpo tido
Em rara plenitude além saber,
Do universo o íntimo sentido.
E tão cobarde é meu pensamento,
Toda a vida e tudo em mim absorvendo
E me tomando, mais fel do que o fel,
Que eu tenho medo de abrir os meus olhos
E a mente a uma surpresa horrível,
E sinto meu ser quase em supressão
Num horror além da Imaginação.

Mais do que a mais cobarde das feras
Diante do raio em que o céu se fende,
Mais do que o ébrio na sua aflição
Que tem visões que o temor transcende,
Mais do que o medo pode conceber,
Mais que a loucura pode fazer crer,
Mais do que o nem sequer imaginado,
O mistério de tudo, o seu sentido
Quando em mim, em plenitude vislumbrado,
Faz aterrar meu ser enlouquecido.

Não fales — não há palavra a ser dita —
Não, nem a sombra dessa sensação,
Da corda da sanidade partida
Em mim, na angústia daquele momento
E na intensidade da negação;
Não penses, não é capaz o pensar
De um tal horror poder expressar.

A mínima coisa fica terrível
E sublime o ínfimo pensamento —
Tudo no mundo fica mais horrível
Do que o sentido da alma do tempo,
Do que o medo da morte profunda,
Do que o remorso em que o crime se afunda.

É como que trazer o conhecimento
De que o mistério é só um jogo tolo.
Contudo se assim o viessem trazer,
Morto estaria o meu pensamento
E morto, como tudo, todo o meu ser:
É isto o que os homens sabem nomear,
Olhando o rosto de Deus, grosseiramente.
E esse sentir pode mais que mutilar
O espírito, mais que embrutecer;
Ele mataria total e prontamente,
Com um susto nem no inferno provado,
Mais do que do terror é conhecido,
Mais do que do medo é imaginado.
Em minha alma, na sua escuridão,
Tão escura como a alma em cada ser,
Por bênção de sua eterna maldição
Lampeja qual vampiro sem corpo tido
Em rara plenitude além saber,
Do universo o íntimo sentido.
E tão cobarde é meu pensamento,
Toda a vida e tudo em mim absorvendo
E me tomando, mais fel do que o fel,
Que eu tenho medo de abrir os meus olhos
E a mente a uma surpresa horrível,
E sinto meu ser quase em supressão
Num horror além da Imaginação.

Mais do que a mais cobarde das feras
Diante do raio em que o céu se fende,
Mais do que o ébrio na sua aflição
Que tem visões que o temor transcende,
Mais do que o medo pode conceber,
Mais que a loucura pode fazer crer,
Mais do que o nem sequer imaginado,
O mistério de tudo, o seu sentido
Quando em mim, em plenitude vislumbrado,
Faz aterrar meu ser enlouquecido.

Não fales — não há palavra a ser dita —
Não, nem a sombra dessa sensação,
Da corda da sanidade partida
Em mim, na angústia daquele momento
E na intensidade da negação;
Não penses, não é capaz o pensar
De um tal horror poder expressar.

A mínima coisa fica terrível
E sublime o ínfimo pensamento —
Tudo no mundo fica mais horrível
Do que o sentido da alma do tempo,
Do que o medo da morte profunda,
Do que o remorso em que o crime se afunda.

É como que trazer o conhecimento
De que o mistério é só um jogo tolo.
Contudo se assim o viessem trazer,
Morto estaria o meu pensamento
E morto, como tudo, todo o meu ser:
É isto o que os homens sabem nomear,
Olhando o rosto de Deus, grosseiramente.
E esse sentir pode mais que mutilar
O espírito, mais que embrutecer;
Ele mataria total e prontamente,
Com um susto nem no inferno provado,
Mais do que do terror é conhecido,
Mais do que do medo é imaginado.


In Poesia , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 1999
Alexander Search
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