Meu coração, se alguém o quis,
Não se lembra de que o queria...
Por isso sou só e feliz,
Pois minha vida é fria.

Mas tenho aonde me aquecer.
Há uma chama involuntária
No fundo ignoto do meu ser.
Que importa a vida, alheia e vária?

4 - 7 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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