O meu coração desce,
Um balão apagado...
— Melhor fora que ardesse,
Nas trevas, incendiado.

Na bruma fastidienta.
Como um caixão à cova...
— Porque antes não rebenta
De dor violenta e nova?!

Que apego ainda o sustém?
Átomo miserando...
— Se o esmagasse o trem
Dum comboio arquejando!...

O inane, vil despojo
Da alma egoísta e fraca!
Trouxesse-o o mar de rojo,
Levasse-o a ressaca.

 


In Clepsidra
Camilo Pessanha
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