Tudo era campo, menos a minha alma...
Passam balouços no meu olhar...
Crianças (branco) a balouçar
Em curvas aquém da tarde calma...

‘Scondem-se os guizos... E é campo ainda
Salvo onde há vidas ou mar (azul).
Um riso paira de calma e sul
Teu gesto aquela que te sonho alinda...

Aves (incerto)... Flores por vir...
Bancos sob árvores ao longe outrora...
Não passa nada salvo ouro na hora...
Fecho os meus olhos e há em mim sorrir...

Lápis-lazáli do teu encanto...
Janela aberta (cortina ao vento)
Para o ar livre vem meu pensamento...
E eu dei às cousas meu régio manto...

10 - 5 - 1916

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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