Lord que eu fui de Esccias doutra vida
Hoje arrasta por esta a sua decadncia,
Sem brilho e equipagens.
Milord reduzido a viver de imagens,
Pra s montras de jias de opulncia
Num desejo brumoso — em dvida iludida...
(— Por isso a minha raiva mal contida,
— Por isso a minha eterna impacincia.)

Olha as Praas, rodeia-as...
Quem sabe se ele outrora
Teve Praas, como esta, e palcios e colunas —
Longas terras, quintas cheias,
Iates pelo mar fora,
Montanhas e lagos, florestas e dunas...

(— Por isso a sensao em mim fincada h tanto
Dum grande patrimnio algures haver perdido;
Por isso o meu desejo astral de luxo desmedido —
E a Cor na minha Obra o que ficou do encanto...)

 


Paris, setembro de 1915
Mário de Sá-Carneiro
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