O crepsculo abrasa e eu pronuncio 
o teu nome como se estivesses longe 
e no aqui, ao lado da ericeira, 
com as tuas mos dentro de mim 
a provocar o fogo. O crepsculo 
de sangue, a luz 
permite ainda ver o mar, o movimento 
da gua nas pupilas As sombras 
acumulam-se em torno da cabea 
que se curva para 
me descer ao corpo 
de lbios abertos para receber o voo sfrego, 
os cristais 
do mergulho profundo. No relevo 
em que nos situamos 
os volumes escoam-se, s o tacto 
age no tempo, toma-se 
a palavra mais justa, feita 
de silncio que os dedos realizam 
na descida aos vulces. 
A escurido cobre-nos como 
a serenidade. Somos 
um todo, uma verso 
acabada da paz — quietude 
no final dos limites, quebra ritual. 

1971

In O PNDULO AFECTIVO - ANTOLOGIA POTICA:1950-1990 , Edies Afrontamento, 1991
Egito Gonçalves
[[O CREPÚSCULO ABRASA E EU PRONUNCIO]]
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