Olha, Daisy, quando eu morrer tu hás-de
Dizer aos meus amigos aí de Londres,
Que, embora não o sintas, tu escondes
A grande dor da minha morte. Irás de

Londres pra York, onde nasceste (dizes —
Que eu nada que tu digas acredito…)
Contar àquele pobre rapazito
Que me deu tantas horas tão felizes

(Embora não o saibas) que morri.
Mesmo ele, a quem eu tanto julguei amar,
Nada se importará. Depois vai dar

A notícia a essa estranha Cecily
Que acreditava que eu seria grande…
Raios partam a vida e quem lá ande!...


(A bordo do navio em que embarcou para o Oriente;
uns quatro meses antes do Opiário) Dezembro 1913

 


In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
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