Mas quem era a rainha Berengária?
      Não sei. O incerto nome
De que teve por auréola um luar de astros.
E a curva externa do horizonte □ some
Da última armada os derradeiros mastros.

Levam à rainha Berengária
      O perdido tesouro?
No seu palácio no ocidente morto
Triste sob o □ cabelo louro
Ela olha sem querer o deserto porto.

Quem reina onde há a rainha Berengária?
      Não sei... P’ra quê saber?
Com a armada o sol e □ se foram
E as [.] do vulto vêm saber
O segredo das praias

Acabaria a rainha Berengária
      Por ser, um dia, alguém?...
Num palácio sobre o mar distante
Ela espera sua armada que não vem
E à lua revela o vulto

Não há talvez rainha Berengária.
      Que importa. Sobre o mar
O palácio e a figura que não cansa
Intervalo do seu frio ‘sperar
Vê nascer o luar ainda com ‘sperança.

7 - 6 - 1919

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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