Se amanhã me deitar ao mar
(música teimosa no meu pensamento,
nas conchas que colhi, no vento
que me enche as horas
de ilhas ao norte, onde nasci)
sabei que a minha tristeza não tem cura.
Há um rochedo que cai a pique sobre o mar,
que me tenta como navalha.
Hei-de subi-lo a pulso e resvalar
rasgado pela pedra, até ao mar,
para que os tubarões venham
ao cheiro do meu sangue!

É este o meu testamento
de furriel açoreano
ao serviço em Cabo Verde.

Era um camarada meu
em Mindelo, S. Vicente…


In Crónica Caboverdiana: Memórias de um Furriel
Ruy Cinatti
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