O Mestre sem discípulos
Tinha uma máquina errada,
Que, apesar de ter vários manípulos,
Nunca fazia nada.

Servia de realejo
Quando ninguém a ouviria.
Quando parada, dava ensejo
A ser curiosa, mas ninguém a via.

Minha alma é talvez qualquer cousa
Como essa máquina errada.
É complicada, é caprichosa,
E não serve de nada.


12 e 13-12-1933

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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