Pálido até à alma, o olhar fito,
Sentindo-lhe a ilusão, no ser evida
Que enche vaziamente o infinito

Sinto crescer-me, fria e indefinida
A sensação de desespero louco

Para quem sonha e  a vida é pouco
Para quem chora a imortalidade
Vazia é. E o pensamento rouco

De erguer vozes de pranto à imensidade
Sente cada vez mais a solidão
Onde fingimos ser alma e vontade.


 espaço deixado em branco pelo autor.


[1909]

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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