O mau aroma álacre 
         Da maresia 
Sobe no esplendor acre 
         Do dia.
 
Falsa, a ribeira é lodo 
         Ainda a aguar. 
Olho, e o que sou está todo 
         A não olhar.
 
E um mal de mim deixa. 
         Tenho lodo em mim - 
Ribeira que se queixa 
         De o rio ser assim.

 

27 - 3 - 1931

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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