Era o verão, o seu desassossego.
Era o desejo,
o desejo rompendo da sombra
sem caminho, e doía.
Era o ardor, o mais diáfano
irmão da melancolia.
Era o amor, o espanto
do amor, desarmado
e sem abrigo.
Era o deserto, o deserto à porta;
e fervia.

In Ofício de Paciência
Eugénio de Andrade
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