No silêncio da noite te chorei...
Eu, que já te esquecera...
Inevitável rei
De um povo feito de cera.

Sim, dono só de falsos
Entre os quais, régio, ergui,
Prolixos cadafalsos
Para ninguém morrer ali.

E aí fui eu buscar essa emoção
E ali a encontrei
Com que, sem coração,
No silêncio da noite te chorei.

8 - 8 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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