Adeus, pátria! Eu combati por ti
Sem esquecer a verdade
Nem perante a humanidade
O meu eterno dever.
 
Sem um nome  deixar
Seja teu; saiba  lembrar
A humanidade que o brilho
Que talvez minha alma tenha
Fascine, 
Que sou, fui sempre teu filho.
 
Adeus, pátria! Vou morrer
Não há-de o mundo esquecer
O meu nome, e seja o teu
O que com o meu ligado
Seja ao mundano legado
Juntamente com o meu.
 
Pensei em fama e em glória
Por ti, para que na história
Fiques tu nos versos meus!
Adeus, Pátria tão querida
Tua foi a minha vida
Pátria, eu vou morrer: Adeus!

 espaço deixado em branco pelo autor

19 - 10 - 1908

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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