O dia longo tem fim
O sol, vermelho, morreu.
Sofro. E o que entristece em mim
      É mais que eu.

É a imensa natureza
Que em mim mesmo se entristece.
De um deus parece a tristeza
Com que minha alma falece.

Não, não há própria amargura
      Agora em meu coração
Nem há eu nisto — só escura
      E estulta desolação.

 

16 - 6 - 1925

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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