Menino doido, olhei em roda, e vi-me 
Fechado e só na grande sala escura. 
(Abrir a porta, além de ser um crime, 
Era impossível para a minha altura...) 

Como passar o tempo?... E diverti-me 
Desta maneira trágica e segura: 
Pegando em mim, rasguei-me, abri, parti-me, 
Desfiz trapos, arames, serradura... 

Ah, meu menino histérico e precoce! 
Tu, sim!, que tens mãos trágicas de posse, 
E tens a inquietação da Descoberta! 

O menino, por fim, tombou cansado; 
O seu boneco aí jaz esfarelado... 
E eu acho, nem sei como, a porta aberta! 

In Poesia I - Obra completa , Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2001
José Régio
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