Nesta grande oscilação
Entre crer e mal descrer
Transtorna-se o coração
Cheio de nada saber;

E, alheado do que sabe
Por não saber o que é,
Só um intento lhe cabe,
Que é o conhecer a fé -

A fé, que os astros conhecem
Porque é a aranha que está
Na teia que todos tecem,
E é a vida que neles há.

5 - 5 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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