Minha velha amiga, Desilusão,
Tinha-me esquecido que estavas aqui.
Perdoa-me. Tentando a desolação
Enganar, quase que fingi,
Perdoa, que tinhas ido embora.
Tu, amiga fiel, estás comigo agora!

Desespero, companheiro de velhos tempos,
Em ti também — embora não olvidado
— Numa espécie de pausa — por momentos
Terei talvez menos pensado.
Esquecer-te inteiramente não consigo.
Amigo, que estás aqui comigo!

E tu, velha companheira, Solidão,
De afecto e esperança carente,
Tu, minha gémea — não seria incorrecção
Se deixasse de parar ‘a tua frente
P’ra jogarmos com o medo e o cuidado?...
Por que vens, ó choro, deixar-me envergonhado?
Não quero mais isso, lágrimas não.


In Poesia , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 1999
Alexander Search
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