Na praia baixa a onda morre
E se desfaz a chiar.
Olho, mas nada me ocorre
Senão que estou vendo o mar.

Dizem que o mar reza cânticos,
Que a onda é renda e veludo,
Mas os poetas românticos
Já venderam isso tudo.

Por isso ante o mar real
E as ondas como ali há,
Acho tudo natural.
Versos? Um outro os fará...

25 - 12 - 1930

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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