Eram todos mascarados
Porque eram todos gente…
Iam muitos, misturados,
Iam misturadamente…

E sem haver entender
Entre o que um ou outro era,
Ia tudo num viver
Como dentro de uma esfera…

Era um globo de ninguém
Toda aquela mascarada,
Como uma bola que tem
A superfície pintada,

E que rola monte abaixo
Só pelo declive que há.
Se a procuro não n’acho,
Porque rolou para lá…

Para lá aonde acabou
O monte que ali começa…
E em busca dela me vou
Até que o buscar me esqueça.

 

9 - 8 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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