À minha mãe

Ave Maria, tão pura,
Virgem nunca maculada,
Ouvi a prece tirada
No meu peito da amargura

Vós que sois cheia de graça,
Escutai minha oração,
Conduzi-me pela mão
Por esta vida que passa!

O Senhor, que é vosso filho
Que seja sempre connosco,
Assim como é convosco
Eternamente o seu brilho!

Bendita sois vós, Maria,
Entre as mulheres da terra;
A vossa alma só encerra
Doce imagem de alegria!

Mais radiante do que a luz
E bendito, oh Santa Mãe,
É o fruto que provém
Do vosso ventre, Jesus!

Gloriosa Santa Maria,
Vós que sois a Mãe de Deus
E que morais lá nos céus,
Velai por mim cada dia!

Rogai por nós, pecadores,
Ao vosso filho, Jesus,
Que por nós morreu na cruz
E que sofreu tantas dores!

Orai, agora, oh Mãe qu’rida
E (quando quiser a sorte)
Na hora da nossa morte,
Quando nos fugir a vida! 

                _ _ _

Ave Maria, tão pura,
Virgem nunca maculada,
Ouvi a prece tirada
No meu peito da amargura.

 

 


7-4-1902

In Poesia do Eu , Círculo de Leitores, edição de Richard Zenith, 2006
Fernando Pessoa
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