(Eu sei que tudo é secreto e tudo é improvável) 
Regressas de repente do lugar insuportável das sombras e ficas lá 
Às vezes falo de coisas determinadas 
afasto-me irremediavelmente do silêncio do horror de tudo
 
Está tudo a acabar e a começar e no entanto 
o peso da memória instala-se em todas as coisas de dentro para fora Surges de todos os lados e de um só, venham-me dizer que o tempo está aqui no meio de nós e falar-vos-ei com palavras, palavras, palavras 

Emociono-me com a ciência de que estás aqui e não 
tão própria e imprópria sobre o impuro esquecimento de tudo 
Que distância entre tudo, sobretudo tão perto de tudo! 



In POESIA REUNIDA , Assírio & Alvim, 2001
Manuel António Pina
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