Coração fraco a quem o mínimo olhar
Angustia, e dói o menor sorriso,
Para quem é o sentido de todo o riso
De quem é dito o segredo dito a brincar.

Coração desmantelado, incerto a boiar
Um sentimento de conviver, indeciso,
Avulso, absurdo, selvagem, □, friso
Da loucura no equilíbrio a ironizar.

Coração doente, coração doente, coração doente...
Pobre silencioso coração esquecido
Invisível a quem olha a face, vendido

Ao excesso falido das suas emoções que são
A ponte partida, a ponte sem remédio, entre
A sensação de si a ideia do mundo □

25 - 7 - 1917

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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