Minha alma fica em si. O exterior
É o que ela de comum com outros tem;
O ponto em que se tocam e convém
As almas e os seus sonhos.

Tudo é ver. As ideias, o abstracto
Que há em mim é também visível,
Só que vê-lo parece não ser ver
Pensar é ver.

Quando não vejo, e vejo Deus...
Vejo a sombra de Deus... Além de mim
Estou então... O individual é à minha
Imagem

Mas tudo, em sua essência, é ideia... A cor
É ideia,
De modo que em tudo vejo Deus
Mundo translúcido de Deus.

19 - 9 - 1912

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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